Quando falamos em percursos pedestres, falamos em caminhar de forma descomprometida pela natureza: uma forma (ou “a forma”) de absorver o mundo em que vivemos e as paisagens que modelamos. De forma descomprometida porque é nesse momento que estamos em condições de absorver o que de melhor está à nossa volta, o que nos é cedido. E perder-nos durante uma caminhada, porque os sentidos estão mais focados nas folha dos carvalhos e no musgo que cresce nas rochas do que no caminho que os pés pisam, é sinal da interiorização vivenciada na primeira pessoa.

A distância a que hoje vivemos dos processos naturais fica um pouco mais curta quando se abre o trilho. A criação do caminho onde ele não existe, ou a recuperação de antigos caminhos, é frequentemente o primeiro passo para levar os mais recatados a saírem de casa e reestabelecer uma conexão com o mundo exterior.

 

Os percursos pedestres

Os percursos pedestres, que recentemente ganharam uma forte expressão no país, são uma porta aberta para experienciar a paisagem. Projectos recentes, como os Passadiços do Paiva, deram inspiração a outros projectos, e aproximaram um pouco mais a paisagem de todos nós.

Hoje os percursos pedestres não são só para os naturalistas ou os apaixonados pelo desporto outdoor: numa análise positivista, a expansão dos percursos pedestres veio desempenhar um papel de voltar a ligar os mais distantes à paisagem, nem que seja para uma simples caminhada.

percurso pedestre no meio do bosque

Como atestava Henry David Thoureau, a arte de caminhar é de facto a arte de nos re-conectarmos com a natureza, de percebermos melhor de onde viemos e para onde vamos.

 “When we walk, we naturally go to the fields and woods: what would become of us, if we walked only in a garden or a mall?”

“Quando caminhamos, vamos naturalmente para os campos e os bosques: o que seria de nós se caminhássemos apenas no jardim ou no shopping?”

Henry David Thoureau

 

Viver para conhecer

O trabalho da APROplan tem-se frequentemente focado em trazer para os percursos pedestres a experiência da paisagem natural e cultural das regiões que tem trabalhado. Mais do que uma caminhada, os percursos devem na nossa óptica ser utensílios que levam os utilizadores a percorrer locais estratégicos da região onde se inserem, funcionando preferencialmente como motores de divulgação da natureza e cultura locais. Quando o caminheiro experiencia, na primeira pessoa, a cultura local, quando percebe a importância e funções da paisagem que o envolve, e sobretudo quando interage com os residentes, torna-se um convidado que regressa. Para a APROplan os percursos pedestres devem ser isto mesmo: um convite para quem vem de fora conhecer “a nossa casa” e “comer à nossa mesa”.

Deste ponto de vista, e havendo iniciativa e empreendedorismo local, os percursos pedestres podem ser motores de novos negócios ligados ao desenvolvimento local (actividades outdoor, restaurantes, cafés, comércio local e outras actividades pensadas para o turista são negócios que beneficiam de uma rede de percursos pedestres bem estudada e bem implementada).

Neste espírito a APROplan desenvolve os seus projectos de percursos pedestres com base no que de melhor existe em cada região, e vê esta ferramenta como um expositor para as regiões. Assim, nos nossos projectos, as estruturas integradas nos percursos (miradouros, pontes, etc…) estão sempre ligadas à cultura e paisagem locais, os percursos passam sempre por espaços com potencial de desenvolvimento para lazer, e os utilizadores são levados a conhecer o que de melhor há em cada região.