Muitas vezes ouvimos falar no ordenamento da paisagem. Mas porque é tão importante este conceito?

Ordenamento da paisagem é o processo integrado da organização do espaço biofísico, tendo como objectivo o uso e a transformação do território, de acordo com as suas capacidades e vocações, e a permanência dos valores de equilíbrio biológico e de estabilidade, numa perspectiva de aumento da sua capacidade de suporte de vida.

 

Quais os objetivos do ordenamento da paisagem?

Entre vários outros objetivos, o ordenamento da paisagem procura essencialmente:

  • Permitir o desenvolvimento sócio – económico equilibrado;
  • Melhorar da qualidade de vida;
  • Criar condições para a gestão responsável dos recursos naturais e a proteção do meio ambiente;
  • Promover a conectividade e espaços verdes de qualidade.

O arquitecto paisagista intervém com ênfase sobre o desenho urbano, mais concretamente sobre as vias de circulação e a estrutura verde, sendo estas as ferramentas de trabalho de um paisagista para intervir em ambientes urbanos.

Porque é importante a intervenção do paisagista no desenho urbano?

Os sistemas complexos e dinâmicos que constituem as áreas urbanas refletem a interação entre aspectos físicos, sociais, ambientais e económicos, que por si só são influenciados por forças internas e/ou externas. Estas forças geram um estímulo que pode ditar o crescimento ou declínio das áreas urbanas.
A arquitetura paisagista possui os conhecimentos necessários para o desenvolvimento de uma abordagem compreensiva destes estímulos, encarando novos desafios como oportunidades de melhoria e transformando constrangimentos em oportunidades.
Cada porção de terra é única, muito embora faça parte de um ecossistema maior. O paisagista tem o talento de entender os elementos estruturantes do espaço tanto à macro escala como à micro escala, definindo os elementos a focar e as soluções a trabalhar.

 

Quais os princípios para um desenho urbano de qualidade?

Estrutura verde

Em ambiente urbano, a existência de árvores e a criação de condições apropriadas para o desenvolvimento destas, é de extrema importância pelo seus múltiplos contributos ao nível ecológico, funcional e sensorial.
O desenvolvimento de espaços verdes deve ser potenciado no sentido de aliviar o calor, a poluição e os ruídos, assim como criar áreas verdes sustentáveis, adequadas às condições edafoclimáticas locais.

 

Espaços de circulação

O espaços de circulação devem convidar os habitantes ao passeio livre e despreocupado. Para tal, este espaços devem apresentar características funcionais e apelativas em toda a sua extensão, precavendo a possibilidade de acesso para habitantes com capacidade de mobilização reduzida.

 

Escala

A cidade e os seus espaços públicos deveram ser construídos tendo em conta a escala Humana, garantindo uma relação equilibrada entre os cidadãos e as infraestruturas.

 

Conforto climático

O espaço público deve tentar garantir áreas adequadas a todas estações do ano, de forma a conferir protecção contra o calor, chuva ou vento, evitando dessa forma uma experiência incomoda ou a inutilização dos espaços, e contribuindo para uma melhor qualidade de vida.

 

Proteção contra o tráfego

O espaço público deve incutir nos utilizadores a sensação de segurança de forma a que os pedestres possam movimentar-se pela cidade de uma forma segura. Esta abordagem deve não só utilizar estratégias no sentido de redução da velocidade e circulação automóvel mas também estratégias de sensibilização do peão.

 

Segurança dos espaços públicos

O espaço público deve garantir tanto a possibilidade de realização de actividades diurnas como actividades nocturnas, pelo que um dos requisitos essenciais, é a existência de um bom sistema de iluminação.

 

Espaços de lazer

O espaço público deve proporcionar espaços agradáveis que permitam a permanência por longos períodos de tempo e o desenvolvimento de actividades de lazer (garantindo sempre que possível eixos visuais sobre a paisagem da cidade).

 

Espaços de estadia

A estes deve ser dada especial atenção quando se enquadram ao longo de
espaços públicos com elevada utilização. Quando necessário, a quantidade e qualidade do mobiliário urbano deve ser intensificada, de forma a garantir uma resposta adequada à utilização do espaço

 

Interação social

Os espaços públicos devem fomentar o convívio entre os utilizadores pelo que, na medida do possível, os locais de lazer e encontro não devem estar muito próximos de áreas com ruídos ou odores desagradáveis que impeçam o processo de socialização.

 

Exercício

Os espaço público deve garantir o acesso a equipamentos desportivos a todos os cidadãos, como forma de incentivo a um estilo de vida menos sedentário e mais saudável.

 

Experiência sensorial

De todos os espaços urbanos, os parques são aqueles que tendem a oferecer um maior leque de estímulos sensoriais, pela criação de oportunidades de interação com a natureza, pelo que deve ser garantida condições de acessibilidade a todos os utilizadores.

Esperamos que, com este artigo, se dissipem as suas dúvidas sobre ordenamento da paisagem e desenho urbano. E se tiver questões em como podemos tornar o seu espaço mais fantástico, contacte-nos..