Por vezes, as pessoas perguntam-nos onde vamos buscar inspiração, ou que tipo de projetos gostaríamos de ter feito. E o Tanner Springs Park é um daqueles projetos que tem muitos dos detalhes que apreciamos. Entenda, neste artigo, porque é uma inspiração.

O Tanner Springs Park

Tanner Springs Park, localizado em Portland, Estados Unidos da América, oferece à comunidade local um refúgio para a agitação do dia-a-dia. Prima por ser um espaço tranquilo e de contemplação, muito marcado pelo design naturalista onde a água, a vegetação e a história do local desempenham um papel fulcral na vivência do espaço.

O parque, com cerca de 4800m2, foi desenhado por Ramboll Studio Dreiseitl, um atelier de arquitetura paisagista multidisciplinar muito orientado para o desenho sustentável, ecológico e cultural, tendo sido concluído em 2010. De facto, este reflete um modelo de adopção de práticas sustentáveis e ecologia local de sucesso.

Porque é um caso de sucesso?

A abordagem espacial é inspirada na história do local

Originalmente uma zona húmida pantanosa, foi posteriormente drenada e transformada numa área industrial, marcada por estaleiros ferroviários e fábricas. Assim, por todo o parque foram incluídas referências históricas como é o caso da ‘zona húmida’, da vedação artística, construída em carris de ferrovia, aproveitamento de paralelepípedos para os pavimentos, antigamente utilizados para manter o equilíbrio das embarcações, e mesmo a plantação de espécies de árvores, anteriormente utilizadas pela fábrica de curtume local.

 

Aplicação de um modelo sustentável de gestão de águas pluviais

Aproveitando o facto de ter sido uma zona pantanosa, foi incorporado um lago para onde as águas das chuvas são encaminhadas das ruas adjacentes e das superfícies impermeáveis do parque, passando por um sistema de filtragem. Assim o lago funciona não só como um elemento decorativo mas também funcional transformando-se numa bacia de retenção em alturas de maior pluviosidade sazonal.
Inclusivamente existem colectores de água em determinados pontos do pavimento e foi ainda criada uma instalação em forma de folha que serve de abrigo e também como elemento colector.

 

Envolvimento da comunidade local

O quarteirão onde se insere alberga uma comunidade tanto residencial como trabalhista, sendo este um meio misto bastante dinâmico. Durante o processo de criação do parque foram consultados grupos de partes interessadas e estimulada a participação dos potenciais utilizadores do espaço de forma a criar-se um jardim funcional que desse resposta às expectativas.

 

Circulação e espaços de repouso e de recreio ativo

A circulação foi pensada para permitir o acesso a partir de vários pontos, desenvolvendo-se naturalmente em caminhos biomórficos a partir da cota superior ou através de escadas/patamares que dão continuidade à permeabilidade no espaço, permitindo não só a deambulação mas também zonas para sentar e desfrutar. Foram também criadas amplas áreas relvadas e plantadas de forma a amenizar a ambiente e criar diferentes dinâmicas.

Resumidamente criou-se um parque misto de usufruto activo ou passivo sobre um sistema de infiltração, retenção e aproveitamento de águas, sub consequentemente utilizadas para criar novas oportunidades de recreio.

 

Palete de vegetação apropriada

A vegetação foi escolhida com muita perícia, respondendo adequadamente à necessidade de cada área funcional, isto é, junto ao lago foram utilizadas plantas com capacidades fito remediadoras para ajudar na purificação da água, nas zonas de estadia foram utilizados relvados e nos interstícios composições de arbustos e herbáceas tolerantes à seca, não tendo sido esquecida a importância das árvores no provisionamento de pontos de sombra e melhoria da qualidade microclimática.

Tanner Springs Park é um caso de sucesso claro onde a perícia da equipa projectista e envolvimento da comunidade foram elementos chave na definição do que é hoje o seu carácter e vivência.